Guitar Jams

Segunda-feira, Julho 05, 2010
Postado por: George Marques.


Um vídeo inspirado no MysteryGuitarMan.

Livre Associação

Quarta-feira, Junho 23, 2010
Postado por: George Marques.
Eu sei que, em algum momento, dei algum passo errado. Não sei exatamente qual foi, mas de repente me vi caindo num poço. Tudo agora é diferente. Vejo o mundo com outros olhos, com outra iluminação.

Eu não sei por que isso teve que acontecer. E agora não sei mais o caminho de volta. Estou na terra, tenho que voltar para a estrada. Este caminho eu também não sei. Sigo meu senso de direção que diz onde deve estar a estrada. Mas não sei quanto tempo pode levar pra chegar (se é que vou chegar).

Tudo muda, eu sei. Eu sei muito bem, aliás. Porque comigo tudo muda muito rápido, antes mesmo de eu perceber, já mudou. E me perco. Tudo que sai da rotina me deixa atrapalhado. Já é rotina tudo mudar muito rápido, mas com essa rotina eu não consigo me acostumar (por que será?).

Contudo agora será tudo diferente. Eu sei que já disse isso pra mim mesmo muitas outras vezes. Mas agora vai ser. Não de uma vez, porque não dá. Ninguém muda de uma vez. Mas vou me dedicar às coisas que gosto. Vou me dedicar a coisas novas. Vou me dedicar.

Sempre tem algumas pedras no caminho. Alguns sapos pra engolir. Alguns fardos para carregar. E eu vou ter que esperar tudo isso acabar. Já perdi a paciência com algumas coisas. Este é o meu medo. Medo de não sobrar paciência pra mudar. Medo de chegar aquela vontade maluca de mandar tudo pro espaço, já senti esta vontade algumas vezes. O meu medo é que agora eu mande mesmo. Eu não tenho medo de cair, tenho medo de não conseguir resistir à vontade de pular.

Escrever é uma das coisas às quais quero me dedicar. Escrever qualquer coisa, seja lá o que for, porque isso me faz sentir melhor. O blog me deixa com aquela preocupação de que alguém irá ler e começa a gerar bloqueios. Ideias me surgem o tempo todo, mas ainda acho difícil tirar textos delas. A isto, também, quero me dedicar. Nunca deixar uma ideia passar.

Por isso escrevo agora. Me veio uma ideia e comecei a escrever. Ficou bem diferente do que tinha imaginado, mas isto não é relevante. O que importa é que escrevi o que tinha para escrever, mesmo que não tenha sido algo dentro do esperado. Acho que já comentei em algum post anterior que agora escreverei aqui para mim somente. Este é um blog pessoal, apesar de tudo. Então não ligo muito se os outros não gostarem do texto, mas aprecio muito quem gastou seu precioso tempo com algo que eu escrevi. E isto, apesar de tudo, me dá prazer por escrever.

E me veio um título agora. Algumas vezes começo com o título, outras só consigo pensar em um algum tempo depois de terminar o post. Não sabia o que ia virar, mas agora que sei me surgiu o título na mente. Faz sentido.

E tenho alguns projetos em mente que com certeza aparecerão por aqui quando (se) ficarem prontos. E é isso.

Bug

Quinta-feira, Maio 20, 2010
Postado por: George Marques.
Eu nunca entendi porque sempre tive tanta dificuldade em demonstrar meus sentimentos. Agora descobri que a implementação minha interface gráfica tem um bug.

#fail

Quinta-feira, Maio 13, 2010
Postado por: George Marques.
Sempre cauteloso, ele evitava ao máximo fazer coisas com as quais não estava acostumado. Tinha uma medo gigantesco de errar. E morreu sem ter errado sequer uma vez. Este foi o seu grande erro.

Outras Vidas

Quinta-feira, Abril 22, 2010
Postado por: George Marques.
A vida é tão curta que não conseguimos fazer tudo o que temos vontade. Isso é até fácil de perceber, se prestarmos um pouco de atenção. E este é exatamente o motivo de tentarmos entender o mundo que está além de nós mesmos.

Entre todas as bifurcações do caminho, escolhemos a direção de forma que cada um tenha uma vida única. É, realmente, apenas uma vida. Por isso recorremos às outras vidas que estão à nossa mão.

Os videogames são um bom exemplo disso. Neles muitas muitas vidas. Não temos medo de errar, a qualquer problema podemos voltar e tentar de novo. Até conseguirmos ou perdermos a paciência. São as vidas que gostaríamos de ter, mas não temos.

Mesmo assistindo a um filme, ou uma série de TV, temos uma tendência a nos envolvermos na história de modo que compartilhemos as sensações e emoções dos personagens.

Eu aprendi a gostar de filmes quando comecei a acreditar que participava da história. É claro que temos que saber quando tudo acaba e também que tudo não passa de ficção, caso contrário sofreremos ao invés de nos divertirmos. Isso eu aprendi também.

O mais importante é que tudo isso é muito bom. As vidas novas que nos libertam da nossa própria, mesmo que por pouco tempo, nos fazem relaxar e distrair. Nos ajuda a deixar de ter consciência da vida patética que vivemos e acreditar que pode existir um futuro diferente. Quanto mais você pensa, mais você sofre. Aprendi isso pelo método empírico.

Um amigo meu disse que "a sofisticação cognitiva intensifica as sensações". E eu percebi que isto é completamente verdade. É claro que isto se refere também à felicidade. Quando estou feliz, estou muito mais feliz do que os ignorantes que são felizes um tempo inteiro. Mas também fico triste e com uma intensidade maior do que eles quando, raramente, estão.

E todas essas outras vidas também nos fazem ficar tristes. Assim como as músicas. É como dizia Schopenhauer. Nos liberta da consciência e deixamos fluir o inconsciente. Satisfazemos nas vidas fictícias as nossas próprias vontades intrínsecas.

E, apesar de querermos veementemente, não podemos nos esquecer de que são apenas outras vidas.

Curiosidade

Segunda-feira, Abril 05, 2010
Postado por: George Marques.
Andava pela rua distraído, despreocupado com o resto do mundo. Não percebia as pessoas que esbarravam nele - ou ele que esbarrava nelas - e olhavam para trás de cara fechada. Isso não era importante. Não notava o barulho infernal do trânsito caótico da cidade, nem o motociclista que acabara de sofrer um acidente na esquina. Isso também não era importante. Não reparava na faixa cinza da poluição sobre os prédios também cinzas. Isso tinha ainda menos importância.

Na sua mente apenas circulava aquele pensamento esquisito que surgira de repente por algum motivo que ele não sabia ao certo. Tentou fortemente parar de pensar naquilo, mas seus esforços eram inúteis.

- Olha por onde anda! - alguém gritava com ele. Mas isso não tinha a menor importância.

Também não percebera o outro acidente - que ele mesmo causara ao atravessar a avenida sem olhar. Não fazia diferença. As gotas da chuva que acabara de começar caíam sobre seus cabelos. Algumas pessoas começaram a correr, outras simplesmente abriram o guarda-chuva. Quem não tinha um poderia ter comprado com um dos vendedores que surgiram do nada. Ele, claro, nem percebeu isso também. Não que isso fosse importante.

O que lhe intrigava era aquele pensamento macabro que surgira do nada. Parou, de repente, e olhou para o alto, observando o grande arranha-céu a sua frente. "Como seria?", ele pensava. Muitas pessoas já haviam ousado, mas ninguém nunca tivera a oportunidade de contar como é. E ele já imaginava a cena.

Não que ele tivesse realmente vontade. As consequências também seriam drásticas. Mas a curiosidade crescera a tal ponto que não conseguia mais resistir. "Como seria cair de lá de cima?", ele pensava. Já imaginava a cena. O vento cortando o rosto. As gotas de chuva molhando suavemente seu corpo. O crânio esmagado pelo asfalto. Essa parte lhe dava arrepios, mas a curiosidade ainda era maior. "Qual será a sensação?", ele pensava. Os ossos sendo fragmentados e estilhaçados. As costelas se partindo, perfurando músculo e pele. O sangue escorrendo pela calçada.

Entrava no elevador. Pressionava o mais alto botão do painel. E já imaginava a cena. As mulheres gritando. As pessoas em volta de seu corpo espatifado no chão. "O que será que acontece quando a gente morre?", ele pensava. Isso sim era importante.

Abriu-se a porta do elevador. Ainda não era o andar dele. Pessoas entraram e olharam-no. Nem preciso dizer que ele nem percebeu - mas disse mesmo assim, só para ficar claro. E isso era mais daquelas coisas sem importância. A porta se fecha. Ele não consegue pensar em mais nada. Ainda bem, pois assim podemos pular toda a enrolação do elevador parando nos outros andares.

Ele está sozinho no elevador. Dificilmente alguém subia até a cobertura. Muito menos até o terraço, que era para onde se dirigia a escada que ele estava subindo. Se aproximou da borda do prédio. Olhou lá pra baixo. Era realmente um grande edifício. Parecia bem mais alto daquele ponto de vista. Subiu na mureta. O prédio parecia ter crescido alguns andares. O vento batia em seu rosto, assim como as gotas da chuva, mas não o desequilibrava. Não sentia medo, só ansiedade. E fazia tudo bem devagar, como quem saboreia um delicioso pavê de chocolate. Fechou os olhos e abriu os braços.

Abriu os olhos e mergulhou de cabeça. Afinal, era importante que o crânio se espatifasse no asfalto. Não sabia se teria uma segunda chance de fazer aquilo. Tudo tinha que dar certo na primeira tentativa. O vento cortava o seu rosto, como ele tinha imaginado. Mas a sensação era especialmente única. Não é como pular de pára-quedas, pois ele tinha a certeza de que o pára-quedas não se abriria. O chão se aproximava cada vez mais rápido. Conseguiu ouvir um grito de mulher. Abriu um sorriso involuntariamente.

As pessoas que corriam por causa da chuva pararam de correr. Os vendedores de guarda-chuva pararam de gritar oferecendo seus produtos. Os executivos encharcavam seus ternos somente para olhar o que estava acontecendo. O trânsito continuava caótico e, daquele ângulo, os motoristas e passageiros não sabiam o que estava acontecendo.

Tudo foi muito rápido. Contudo, ele conseguiu ver sua vida diante de seus olhos, como um filme. E sentiu o chão molhado em seus cabelos, imediatamente antes que seu crânio fosse esmagado contra o asfalto. "Exatamente como eu pensei", ele pensava. Tentou abrir um sorriso. Estava feliz. Mas seus músculos faciais não tiveram tempo de reagir antes que seu cérebro fosse destruído completamente. As mulheres gritavam. As pessoas se aglomeravam em volta de seu corpo espatifado no chão.

Não sentia mais nada. Não via e nem ouvia mais nada. Não pensava em mais nada. Antes de tudo, ainda sentiu pena. Também não teria a oportunidade de contar como é.

De novo...

Sábado, Abril 03, 2010
Postado por: George Marques.
Acho que estou realmente precisando fazer isso de novo: http://vnen.georgemarques.com/2008/12/de-volta.html
Segunda-feira estarei de folga do trabalho. Quem sabe...

Os cinco grandes erros sobre o BBB

Terça-feira, Março 23, 2010
Postado por: George Marques.
Como todos devem perceber, o Big Brother Brasil, aparentemente, faz muito sucesso. As razões para isso estão implícitas no interior profundo e obscuro do psicológico comportamental do brasileiro típico, o que não vem ao caso no momento. Porém, como seria natural, algumas coisas fogem ao conhecimento - ou simplesmente ao bom senso - da maioria das pessoas - em especial dos fãs do BBB. Assim, vou enumerar e esclarecer, a seguir, cinco desvios a respeito deste reality show que acho coerente comentar.

1. Assistir o BBB é divertido.
Não, não é. Assistir TV, em geral, não é divertido. Mas, em alguns casos, ela realmente consegue nos prender a atenção e nos divertir de verdade. E isso também não vem ao caso. A questão é que participar do Big Brother deve ser extremamente divertido - com todas aquelas festas, bebidas e mulheres gostosas (ou nem tanto assim). Contudo, assistir aquele povo, que foi selecionado a dedo, fazendo tudo isso não traz nenhuma diversão - ao menos não a meu ver - para o espectador. Esse, de fato, é o maior erro e exatamente aquele que torna o BBB tão popular.

2. BBB não é novela.
Posso exemplificar com minha mãe, uma noveleira de velhos tempos - que diz sempre que vai parar de ver quando acabar a novela atual, mas sempre assiste a seguinte - que não gosta do BBB. Ela simplesmente diz que não vê graça nenhuma em ver o povo da casa fazendo seja lá o que fazem. Mas, como pode achar graça nas mesmas relações quando estão presentes num roteiro bem especificado escrito por um autor famoso? Além do mais, tenho minhas dúvidas se o programa também não tem algum tipo de roteiro.

3. Os participantes são "Big Brothers" (ou "Big Sisters (sic)") .
Esta realmente é uma grande confusão. O termo "Big Brother", que deu origem ao nome do programa, foi cunhado por George Orwell (pseudônimo de Eric Arthur Blair) no livro "1984" e é o nome de um personagem - um ditador - que vigiava todos os cidadãos (através de telas) para controlar seus atos. Consequentemente, em relação ao reality show, Big Brother, na verdade, é quem vigia os participantes do programa - no caso os telespectadores - e não os próprios participantes.

4. O BBB é uma análise de comportamento.
Que tipo de experiência psicológica é esta que joga uma dúzia de pessoas dentro de uma casa que mais parece uma colônia de férias para analisar o comportamento delas? E que método científico é este que deixa esta casa cercada de câmeras - inclusive no banheiro - e microfones para que todos os cidadãos do Brasil possam acompanhar - e podem fazer isso mais profundamente caso paguem uma quantia apropriada pelo pay-per-view - e decidir o futuro dos participantes? E por que, no fim das contas, eles lutam entre si - no
sentido figurado (mais ou menos) - para continuar na casa e assim conseguir ganhar um prêmio milionário? Bom, e mesmo que realmente fosse, por que não há nenhum resultado publicado em revistas científicas pelos idealizadores do programa, mesmo ao chegar na décima edição? Explicar as coisas com perguntas retóricas deixa tudo muito concreto, já que você mesmo é quem chega à conclusão.

5. Os textos do Bial salvam o programa.
Pedro Bial pode até ser um excelente poeta e escrever muito bem (percebam que isto não é afirmativo e tampouco negativo). Ele consegue falar muito sem dizer nada, algo importante para o programa, já que ele tem que dizer sempre a mesma coisa, e ele realmente faz isso muito bem. Mas, fora de contexto, mesmo o melhor orador do mundo não salvaria a coisa toda. E este é justamente o ponto: o BBB em si é o problema, nem trezentos melhores do que o Bial iriam salvar o programa, porque estariam fora do contexto.

Quero lembrar a todos que, como era de se esperar, isto é apenas a minha opinião e muitos poderão discordar - assim como muitos poderão concordar. Os cinco erros aqui representados são arbitrários, posso ter falado alguma besteira - algo realmente muito provável, já que eu não pesquisei muita coisa - e talvez hajam pontos ainda mais importantes a serem discutidos. Mas este é, justamente, um lugar de opinião, assim este texto provavelmente não terá seu conteúdo alterado, apesar de abrir margem a uma, não impedida neste momento, discussão.

Teatro

Sábado, Março 13, 2010
Postado por: George Marques.
— Você está nervoso, né?
— É que vou fazer o teste para um papel.
— Eu também, mas estou tentando relaxar, você deveria fazer o mesmo.
— Bem que eu queria, mas está difícil.
— Você vai fazer o teste para qual papel?
— Vou tentar conseguir fazer o papel de otário.
— Legal, eu vou tentar fazer papel de palhaço.
— Eu pensei nesse, mas achei que seria muito difícil.
— Que nada. Mas eu venho treinando a muito tempo.
— Sério? Quanto tempo?
— Nas últimas eleições eu votei no partido de esquerda.
— É, realmente está se esforçando.
— Você não ensaiou nada?
— Bom, acho que já nasci com vocação para o papel de otário.
— Então por que está tão nervoso?
— É que a concorrência é grande. Me parece que todos querem este papel.
— Não, muitos preferem o papel de palhaço. Afinal, são bem parecidos.
— Mais ou menos.
— Acho que está tentando o papel errado. Olha aquele cara ali rindo de você.
— Não, ele roubou meu celular. Isto é mais pro papel de otário mesmo.
— Acho que estão te chamando.
— É mesmo. Estou indo.
— Boa sorte.
— Obrigado. Sorte pra você também. Acho que o papel de palhaço já é seu.
— Obrigado. Até mais.
— Até.

Carolina

Sexta-feira, Fevereiro 26, 2010
Postado por: George Marques.
Carolina era uma moça diferente. Não gostava de novelas nem de fofocas. Falava pouco, achava besteira combinar roupas e não usava maquiagem ou esmalte. Não tinha muitas fotos no Orkut e todos os seus amigos ela conhecera e conversava pela internet.

Todos lhe achavam estranha. Não se engane: ela era bonita, só não seguia as tendências da moda. Não se preocupava com estilo, preferia vestir algo confortável do que algo bonito.

Ninguém da vizinhança imaginava que ela tinha um namorado. Afinal, ela não conversava com ninguém dali. Carolina era uma moça apaixonada e, por causa disso, resolveu tentar mudar.

Todos estranharam e comentaram quando viram Carol sair de casa toda enfeitada. Usava uma combinação de roupas e tentava equilibrar-se sobre um salto de dez centímetros. Nas unhas, um esmalte vermelho vivo, da mesma cor do batom, era notável. A face estava bem maquiada, realçando sua beleza natural. O cabelo estava bem alongado, liso e macio e as pontas foram pintadas de louro. E portava uma bolsa que combinava com as sandálias. Apesar da estranheza visual causada pela novidade, Carolina estava mais bonita do que nunca.

Confiante, acreditava que poderia conquistar o namorado para sempre. Encontram-se num shopping no centro da cidade, como era de costume. Ela o viu a distância e ficou ansiosa pra lhe mostrar a novidade, mas surpreendeu-se quando ele começou a rir. Seu sorriso desvaneceu rapidamente.

- Você está parecendo uma palhaça – ele ainda não continha o riso

- Idiota! – ela respondeu impulsivamente e correu, já com lágrimas nos olhos.

Carolina não acreditou no que acabara de ocorrer. Achou que seu namorado iria se deslumbrar ao vê-la tão produzida, mas obteve o efeito contrário. Seu erro foi ter acreditado que ele gostava dela.

Depois de esperar algum tempo na fila, Carolina entrou no ônibus e sentou-se no assento próximo à janela. Tentava reprimir as lágrimas, às vezes com o dedo, para que seu choro não ficasse visível pelos borrões na maquiagem. Nem reparou na moça que sentara ao seu lado.

- Você não está acostumada com isso, não é? – disse a desconhecida.

- Com o quê? – Carolina tentava esconder o choro.

- Com esse negócio de usar maquiagem e este tipo de roupa. Eu já te vi por aqui. É difícil não reparar, você é bem diferente de todas as outras garotas.

Carolina deu um sorriso leve, só para ser simpática com a moça. Não sabia bem o que responder. Então a outra continuou:

- Você fica bonita assim.

- Obrigado. – Ela ficou envergonhada, mas os cosméticos ajudaram a esconder o rubor da face.

- E ele não viu isso, apenas riu da sua cara, certo?

- Como você sabe disso?

- Eu imaginei. Os homens são assim: é difícil entendê-los, mas não prevê-los.

- É verdade. – Carolina não concordava muito, afinal ela não tinha previsto o que aconteceria.

- Mas você também fica bonita sem essa frescura toda. Quando te vi pela primeira vez, gostei do seu jeito ousado de ser você mesma, eu não teria coragem de fazer isso. Mas agora está igual a todas as outras. Você não deveria mudar isso só para agradar alguém.

- É, você tem razão. Aprendi isso do jeito mais difícil. - Carolina começava a se sentir melhor.

A vizinhança continuava comentando quando ela voltou pra casa. Carolina, decidida, nem se importou com o que diziam. Entrou em casa, tirou as sandálias, trocou de roupa e tirou toda a maquiagem. Decidiu levar a vida do seu jeito. Aprendeu que não valia a pena mudar por causa de alguém - principalmente alguém que não gosta de você realmente.

No dia seguinte, Carolina estava com sempre estivera, exceto por um novo fator: ela iria sair com uma amiga de verdade.